Praticamente todos os dias, somos todos confrontados
com a actividade do nosso intestino,
e não é nenhuma surpresa que pelo menos alguns de nós
desenvolveram um fascínio com a nossa condição intestinal
e sua relação com a saúde e a doença.
Ao longo dos últimos anos, a microbiota intestinal,
nossa flora do intestino, tem sido identificada como
um fascinante "novo órgão", com todo o tipo de funções.
Bem, se as bactérias em nosso intestino
constituem um órgão separado dentro do nosso corpo,
que tal fazer um transplante de órgão?
O que aconteceria se você transferisse bactérias intestinais
de pessoas magras para pessoas obesas?
Os pesquisadores pensaram que reequilibrar as bactérias que causam a obesidade
com uma infusão de bactérias intestinais
de uma pessoa magra poderia ajudar.
Ora, eles queriam que fosse um estudo controlado por placebo,
o que é fácil de fazer para medicamentos: dar uma pílula de açúcar.
Mas, quando você está introduzindo um tubo na garganta das pessoas
e transplanta fezes,
O que será que você usa como um placebo cocô?
Um cocô-cebo, se você quiser!
Tanto os doadores e os voluntários trouxeram fezes frescas,
e os indivíduos foram randomizados
quer para obter fezes do doador
quer para ser transplantado com as suas próprias fezes recolhidas -
que são o placebo, ou seja só obtinham as suas próprias fezes de volta.
Ok, então o que aconteceu?
A sensibilidade à insulina dos doadores magros
estava no nível de 50; isso é uma coisa boa.
Alta sensibilidade à insulina significa baixa resistência à insulina,
a causa da diabetes tipo 2 e pré-diabetes.
Os indivíduos obesos começaram com 20,
e depois de uma infusão de suas próprias fezes,
eles continuaram em torno de 20.
Mas o grupo de doadores obesos recebendo as fezes dos magros
começaram igualmente baixos mas subiram
para perto do nível das pessoas magras.
É interessante: nem todas as fezes de doadores magros
conduziram ao mesmo efeito sobre a sensibilidade à insulina,
pois alguns doadores tiveram efeitos muito significativos,
o chamado super-doador fecal,
enquanto que outros tinham pouco ou nenhum efeito.
Acontece que este efeito super-doador é provavelmente provocado
pelas bactérias produtoras de ácidos gordos de cadeia curta
encontradas em suas fezes,
as bactérias alimentares que se alimentam da fibra que nós comemos.
Os ácidos gordos de cadeia curta produzidos
por bactérias consumidoras de fibras podem contribuir para a libertação
de hormônios intestinais que podem ser a causa
deste benefício de sensibilidade melhorada à insulina
O sucesso do uso de transplante fecal
recentemente atraiu considerável atenção,
não só por causa do seu sucesso,
mas pela sua capacidade de provar a relação de causa e efeito
entre as bactérias que temos no nosso intestino
e o nosso metabolismo.
Mas, dentro de alguns meses, a composição bacteriana
retornou aos níveis anteriores;
assim, os efeitos sobre os indivíduos obesos foram temporários.
Podemos obter benefícios semelhantes, porém, apenas alimentando
as boas bactérias do intestino que eventualmente já temos.
Digamos que você tem uma barraca cheia de coelhos.
Se os alimentar de torresmo, eles morrem todos.
Sim, você pode repovoar o seu barracão, introduzindo novos coelhos,
mas se você continuar alimentando-os com torresmo,
eles acabam por morrer também.
Por outro lado, mesmo que você comece com apenas alguns coelhos,
Se você alimentá-los com o que é natural eles comerem,
eles vão crescer e multiplicar-se e em breve
você vai estar cheio de coelhos comedores de fibra.
Transplantes fecais e probióticos são pois apenas soluções temporárias
se continuarmos a colocar o combustível errado em nosso intestino.
Mas, por comendo prebióticos, tais como fibras, o que significa
aumentar o consumo de alimentos de plantas inteiras,
podemos seleccionar e promover o crescimento
de nossas próprias bactérias boas.
No entanto, estes efeitos podem diminuir
assim que a alta ingestão de fibra cessar.
Portanto, nossos hábitos alimentares, devem incluir
um consumo contínuo de grandes quantidades
de alimentos ricos em fibras para melhorar a nossa saúde.
E, se não o fizermos, poderemos estar matando de fome o nosso eu microbiano.